Muito além do tratamento: crianças atendidas pelo SUS no HELP vivem experiência no MAC

Passeio terapêutico levou crianças da Oncologia e da internação pediátrica para uma manhã de arte, descobertas e convivência fora do hospital.

Por algumas horas, exames, procedimentos e a rotina hospitalar deram lugar à curiosidade, à brincadeira e à descoberta.

Crianças atendidas pelo SUS no Hospital HELP participaram, nesta terça-feira (25/08), de uma visita ao Museu de Arte e Ciência de Campina Grande (MAC).

A ação reuniu pacientes do ambulatório de Oncologia e da internação pediátrica, além de familiares e profissionais do hospital.

Mais do que um passeio, a experiência foi planejada como parte das iniciativas de humanização do cuidado desenvolvidas pelo HELP.

Antes de pacientes, elas continuam sendo crianças

No museu, cada espaço virou uma possibilidade de descoberta.

As crianças puderam explorar ambientes, conhecer exposições e viver uma experiência distante, ainda que por algumas horas, da rotina do tratamento.

Para a psicóloga do hospital HELP, Daiane Arantes, esse é um dos principais sentidos do passeio terapêutico.

“Não é só um paciente e não é só um diagnóstico. Seguem sendo crianças, movidas pela curiosidade, criatividade, diversão e brincadeira”, afirma.

Segundo ela, sair do ambiente hospitalar também pode integrar o processo de cuidado.

“É uma forma de tirar as crianças daquela rotina de procedimentos e exames. É respirar outro ar, ter contato com a arte e possibilidade de expressão”, explica.

Um dia diferente durante o tratamento

Para crianças em tratamento oncológico, a rotina pode significar períodos maiores de permanência no hospital e redução do convívio social.

A realidade também transforma o cotidiano das famílias que acompanham consultas, internações e procedimentos.

Algumas dessas crianças vivem em outros municípios e passam parte do tratamento longe de casa e de sua rotina habitual.

Por isso, criar oportunidades de convivência fora do ambiente hospitalar ganha um significado particular.

O diretor de Relacionamento com o SUS do HELP, Filipe Reul, destaca que essas experiências fazem parte de um olhar mais amplo para a assistência.

“Trazer a criança para um ambiente que não seja hospitalar ajuda muito no tratamento”, afirma.

Segundo ele, a expectativa para a visita ao MAC começou cerca de 20 dias antes da atividade.

“É um dia diferente. Para a gente, é muito satisfatório poder oferecer isso em parceria com o museu”, acrescenta.

Segurança também fez parte do planejamento

Para que as crianças pudessem participar, a programação começou antes mesmo da saída do hospital.

Os profissionais revisaram as condições clínicas e os prontuários para definir quem poderia participar com segurança.

“A equipe fica muito eufórica querendo proporcionar esses momentos. Mas a gente sempre preza muito pela segurança do paciente”, explica Daiane.

O cuidado também esteve presente na chegada ao museu.

Museu preparou equipe para receber crianças e famílias

Ao receber a proposta do HELP, o MAC iniciou uma preparação específica para a visita.

A equipe do setor educativo participou de uma sensibilização voltada ao acolhimento das crianças e seus familiares.

Segundo a coordenadora do museu, Sheysa Freitas, a iniciativa também está relacionada ao compromisso de ampliar o acesso aos espaços culturais.

“A ideia é democratizar o acesso do museu a todas as pessoas”, afirma a coordenadora do MAC.

Durante a visita, a curiosidade das crianças passou a conduzir parte da experiência.

“Cada local é um local para explorar. Elas chegam com a mente muito aberta, o coração muito aberto e vontade de participar”, relata.

Uma experiência de troca

Para quem enfrenta uma rotina de tratamento, poder sair do hospital também representa uma mudança de perspectiva.

Uma das participantes e mãe de um paciente do hospital resumiu essa sensação: “Quando a gente está no hospital, existe aquela tensão de ficar só ali dentro. Sair de lá tira o estresse e traz mais alívio, mais vida, além do tratamento”, afirmou Kelly Lira, mãe de Lorenzo.

No MAC, essa experiência também foi percebida por quem recebeu o grupo.

“A gente está tentando trazer algo para elas e elas estão trazendo para a gente também”, afirmou a arte-educadora, Williane Paiva.

A visita faz parte das ações promovidas pelo Hospital HELP para ampliar a humanização da assistência oferecida aos pacientes do SUS.

São iniciativas que buscam olhar para necessidades que não terminam no procedimento médico.

Porque, mesmo durante um tratamento, continuam existindo infância, vínculos, curiosidade, brincadeira e vontade de descobrir o mundo.